O vento era livre, soprava em todas as direções, passava pelos mais lindos mares, bosques, vales, florestas e montanhas...
Era adorado e admirado por todos nos lugares que visitava, levando música em seus assovios, varrendo para longe a tristeza das pessoas.
Certa vez o vento foi convidado para uma festa na floresta. Lá, ele conheceu um lago e um barco que moravam juntos. A noite foi muito agradável, eles conversaram e contaram várias estórias. O lago era tranqüilo, mas cheio de sonhos, queria ser um rio e correr livre pelo mundo - construindo suas corredeiras e quedas d’água. O barco navegava nele, e vivia com ele seus sonhos, mas volta e meia sentia-se limitado por ter que permanecer somente naquelas águas, deixando de ter seus próprios destinos. O vento, forte e cheio de vida, contava de como voava por ai, conhecendo vários lugares e assoviando seus cantos por onde quisesse.
Eles se tornaram grandes amigos, e sempre que podia o vento soprava na floresta para passar um tempo junto deles, contando suas estórias. O barco ficava muito feliz quando o lago estava agitado, cheio, e ele podia ir de um lado para outro, onde se sentia um pouco mais livre, mas quando as águas se acalmavam, e ele se via novamente sozinho no lago, acabava caindo em tristeza.
Com o passar do tempo o barco começou a comparar o lago com o vento, e pensava em como gostaria de poder sair com o vento, voando livre e indo para vários lugares, sem ter que ficar ali, preso naquelas águas.
Quanto mais o vento soprava na floresta, mais agitado o barco ficava, querendo fugir das águas do lago. Aconteceu porém, que o vento, na verdade, estava cansado de voar sem direção, e começou a admirar o lago - que mesmo parado ali, lutava e sonhava em construir suas corredeiras e se tornar um rio. O vento queria poder parar e ficar ao lado do lago, ajudando ele em seu destino. E acabou se apaixonando.
O lago, sem pensar, deu esperanças ao vento, de que talvez, um dia, pudessem seguir juntos, quando este virasse um rio.
O vento se encheu de sonhos, e começou a se segurar, reduzindo drasticamente seus trajetos. Limitava-se em visitar a floresta, seguindo o lago que se expandia pouco a pouco, formando suas quedas d’água.
Por fim, em uma das aberturas que o lago criou, o barco seguiu seu rumo, abandonando o lago e indo em direção ao mar, sem a ajuda do vento.
O vento, pensando que talvez agora pudesse acompanhar o lago que se transformava em rio, foi tentar segui-lo, porém, assim que as correntezas se abriram e o lago se tornou rio, este seguiu seu caminho, deixando o vento pra trás.
Azyr Maboroshi
Nenhum comentário:
Postar um comentário