sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A Visita


Natalie terminava de guardar a louça do jantar, e foi levar o lixo para fora. A noite fria e nublada era de um silencio total. Colocou o lixo no latão e ia em direção à porta, quando sentiu um calafrio lhe subir a espinha, uma sensação estranha lhe invadiu, não tinha certeza, mas era como se alguém estivesse observando seus movimentos. Olhou rapidamente em volta, mas a forte neblina cobria tudo, não dava para ver nem o outro lado da rua, correu para dentro e trancou a porta. O relógio pendurado na parede da cozinha marcava 22:20 – lembrou que seus pais haviam saído, avisaram que provavelmente ficariam na casa da tia, depois da festa - ela insistiu que não teria problema em ficar sozinha, se negando a ir junto, dizia estar cansada, a verdade é que não gostava muito dessas festas de família, sentiu agora um leve arrependimento. Apagou as luzes da cozinha e subiu em direção ao banheiro, a sensação estranha ainda lhe acompanhava, acendeu a luz do banheiro e ao olhar no espelho pensou: que idiota, deixando minha imaginação me tomar pelo medo – vou tomar um banho e ir dormir.
Apagou as luzes e foi para o quarto, deixando a porta entreaberta, deitou-se, e com o cobertor se cobriu até o pescoço. Rolou de um lado para o outro, e por fim, virou-se para a parede de costas para o corredor e fechou os olhos.  O Silencio era irritante, fazendo com que começasse a ouvir seu próprio coração, ficou nesta agonia por alguns minutos, e, ao mesmo tempo que se sentia uma idiota por saber que só estava deixando seu medo tomar conta, tinha ainda aquela estranha sensação de que alguém estava lhe observando. Ouviu um barulho de porta se abrir, não quis se virar, pois sabia que seria tomada pelo medo ainda mais, tentou se acalmar buscando memorias boas, mas a sensação estava muito forte, sentia claramente que alguém estava lhe espreitando, virou-se lentamente em direção ao corredor, e através de sua porta entreaberta conseguia ver o quarto que pertencia a sua vó do outro lado do corredor - tinha certeza que estava fechado antes de ir deitar - pois sua avó já não mais morava com eles, havia morrido há uns 3 meses. A porta parecia estar um pouco aberta agora, como estava muito escuro não conseguiu enxergar direito, mas continuou olhando na direção da porta até seus olhos irem se acostumarem com a escuridão. Quando estava começando a se acostumar com o escuro, notou que a porta se abriu mais, e ela viu olhos bem abertos lhe espiando de dentro do quarto, seu pavor foi tão grande que tentou gritar, mas sua voz não saiu, num terror incontrolável ela deu um pulo da cama e correu para fora do quarto, quando olhou para trás antes de descer as escadas viu uma mão pálida abrindo lentamente a porta, e um vulto saiu do quarto gemendo. Ela parou, petrificada, sentia um frio congelante, seus lábios se ressecaram instantaneamente e ela respirava com dificuldade fazendo vapor sair de sua boca.

Na manhã seguinte seu corpo foi encontrado na porta da frente, do lado de fora, totalmente enrijecido pelo frio. Sua mão direita com o indicador erguido, apontava para a janela do quarto de sua avó.

Azyr Maboroshi

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