As sombras daquela noite pareciam mais densas, havia um peso
no ar...
Há menos de um minuto atrás tudo estava diferente, era como
se em transe a mente fosse transportada para outras dimensões, pulando de
momento em momento. Milhões de imagens surgindo, um turbilhão de pensamentos, e
é repassado muito rapidamente situações semelhantes, separando e reorganizando
para formar novas possibilidades, como se listando os diversos possíveis fins
com base em experiências já vividas.
Quando apenas se ouve contar, mas não se visualiza, ou não se tem a
experiência na forma que um dos sentidos possa elucidar, algumas coisas são
tratadas pela mente como um possível acontecimento, mas que ainda não são merecidos
do devido “sofrimento”. Quando, de fato, você tem o contato real, é acionado e colocado em evidência causando desconforto. Algo que você sabia, mas queria acreditar
que não estivesse acontecendo, de fato.
(...)
Mesmo com a espada ainda embainhada, ele sabia que seria
necessário o corte. Não querer causar o machucado, às vezes, não é o bastante
para que não se veja o sangue... O vermelho já estava ali, mesmo que apenas em
pensamento, o golpe já havia acontecido.
Sangrando, a batalha continua, e internamente é muito pior
quando o sentido real da luta não era por ódio, e que, mesmo entre golpes, havia o sentimento de afeto...
Mas sempre tem o orgulho.
A noite foi longa, e a batalha cheia de decisões. Em meio há
tantas ponderações um momento de paz - olhando para o rosto adormecido, nos
primeiros raios de sol, querendo que tudo aquilo pudesse ter sido diferente - e
a decisão de deixar o momento acontecer... Mesmo sangrando.
Não aceitar um abraço do momento por ter medo de não poder mais tê-los em um dos possíveis futuros, é como estar faminto, ter um pão, mas deixar de comer
agora por não ter o que comer depois.
E neste ponto é lembrado as palavras de Marcel Proust:
Azyr Maboroshi
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